Olhos que vi um dia dormitando nos meus olhos parados de tristeza...
em vós há um doce eflúvio me acordando
n'alma tristonha um canto de beleza.
Olhos mortos de lago adormecido
Num calado frouxel de solidão
Sois o filtro melhor que eu hei sentido
Tombar no meu deserto coração!
Por isto - assim de longe - qual criança,
Sem o sentir eu ponho-me a chorar
- com saudades da gota de esperança
que nunca mais voltou ao meu olhar!
Fortaleza, 1926
Estão reunidas aqui as poesias que o autor agrupou nos volumes REMINISCÊNCIAS, CIMÉLIOS E APOTEOSES e em TROVAS E CISMARES.
sábado, 21 de maio de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
A uma pedra
No teu sonhar eterno e indiferente
Nessa atitude imensa de rochedo,
Quem poderá, ó pedra, ter na mente,
O inatingível grau do teu segredo?!
Quando passa por ti o homem, nem sente
A mais atomica sensação de medo,
não sabe que tens alma como a gente, e,
muda, arrostas um destino trêdo.
Não sabe que sofreste no passado
E agora tens um coração gelado
Onde nem mesmo o desconsolo medra!
Mas eu que sei sentir a solidão
Conheço o teu calado coração,
E todo o anseio que tens n'alma, ó pedra!
Fortaleza, 1926
Nessa atitude imensa de rochedo,
Quem poderá, ó pedra, ter na mente,
O inatingível grau do teu segredo?!
Quando passa por ti o homem, nem sente
A mais atomica sensação de medo,
não sabe que tens alma como a gente, e,
muda, arrostas um destino trêdo.
Não sabe que sofreste no passado
E agora tens um coração gelado
Onde nem mesmo o desconsolo medra!
Mas eu que sei sentir a solidão
Conheço o teu calado coração,
E todo o anseio que tens n'alma, ó pedra!
Fortaleza, 1926
Pela tua visão
Meu grande amor és tu. Tu és o imenso amor
maior que o céu e a terra e bem maior que o mar.
Sem ti há na minh'alma ausência de calor
e falta luz e falta vida no meu lar.
És minha vida, meu sorriso e minha dor!
És meu castelo azul banhado de luar...
Minha vaidade toda, e todo meu ardor
estão em ti, nas tuas mãos, no teu olhar...
Estás inteiramente em mim - na integridade
Escultural do teu perfil, na tua bondade
E no sorriso em flor de essência lirial!
És primavera, outono, inverno e és verão,
és tudo para mim ´virtude e perfeição...
Tu és o meu amor, meu único ideal!
Fortaleza, 1927
maior que o céu e a terra e bem maior que o mar.
Sem ti há na minh'alma ausência de calor
e falta luz e falta vida no meu lar.
És minha vida, meu sorriso e minha dor!
És meu castelo azul banhado de luar...
Minha vaidade toda, e todo meu ardor
estão em ti, nas tuas mãos, no teu olhar...
Estás inteiramente em mim - na integridade
Escultural do teu perfil, na tua bondade
E no sorriso em flor de essência lirial!
És primavera, outono, inverno e és verão,
és tudo para mim ´virtude e perfeição...
Tu és o meu amor, meu único ideal!
Fortaleza, 1927
Velha Porta
e há quanto tempo estás longe de mim!
a nossa porta outrora confidente
parece estar sofrendo um mal sem fim.
Escuto ainda eterna e impenitente,
a gargalhada branca de marfim
que ela soltava infatigavelmente,
ao vires receber-me no jardim.
Tudo mudou. Entanto, agora ainda,
sempfre que o dia mansamente finda
e que me ponho triste a recordar,
ressoa levemente ao meu ouvido,
o infatigável vai-e-vem perdido
da nossa velha porta a gargalhar.
Fortaleza, 1927.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Jangadas
Quedei-me a contemplá-las com surpresa,
as jangadinhas brancas sobre o mar...
esta chegando do perigo ilesa,
partindo aquela como a interrogar!
Todas seguindo a mesma correnteza
velas partindo... velas a voltar...
e quando a trilha muda, que tristeza!
Ai do destino dos que vão pescar
Também no mar da vida enraivecido,
Feliz do jangadeiro destemido,
Que vai e volta pela mesma estrada.
Pois o que segue a esmo... indiferente,
Há de encontrar por certo uma corrente,
Que lhe desvie o curso da jangada.
Fortaleza, 1927
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Alma de Mãe
por esses céus sem fim de azul bonança,
vela por mim que há tanto estou chorando,
distante da ventura e da esperança.
Retorna, Essencia, àquele tempo, quando,
juntinho à ti, eu era ainda criança,
dizias-me a sorrir, num gesto brando:
- meu filho, o amor das mães jamais se cansa.
E agora, que és do céu e que és de neve
Vem doce amor, pousar tua alma leve,
Por sobre a dor que o peito meu percorre.
Dá-me os carinhos teus que nunca tive,
- sublime alma de mãe que sempre vive,
- celeste alma de mãe que nunca morre!
Fortaleza, 1926
A mãe do autor (foto acima) chamava-se Maria das Dores Furtado de Paula (1883 - 1920)
Oferenda
Para estes cabelos de trigal maduro
E para estes olhos de azulínea cor,
- a melhor esperança de futuro,
que andei colhendo para o nosso amor!
Fortaleza, 1926.
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